Arquivo para a categoria 'Cinema'

21
Mai

o prêmio de verdade

O diretor brasileiro Fernando Meirelles está concorrendo no festival de Cannes com o filme “Ensaio sobre a cegueira”. Trata-se de uma adaptação da obra do escritor, lenda viva, José Saramago. Quem está acompanhando a cobertura do evento sabe que o trabalho dividiu os críticos. Mas toda essa falação ganha proporção de formiga quando vemos a emoção do autor logo após assistir à película. É de bambear. Depois do vídeo segue o texto de Meirelles relatando a experiência à Folha hoje.

FERNANDO MEIRELLES
ESPECIAL PARA A FOLHA

Depois de uma semana que pareceu uma verdadeira montanha russa emocional, saí de Cannes no sábado e fui para Lisboa mostrar o filme “Ensaio sobre a Cegueira” para o autor da história, José Saramago.
Por meses, antecipei o quanto a sessão me deixaria ansioso -e não estava errado. Infelizmente, o cine São Jorge, que nos foi reservado, não tinha projeção digital, então foi improvisado um sistema para passarmos nossa fita. Pensei em desistir de mostrar o filme ao ver um teste da projeção, mas o escritor já estava na sala de espera e, em respeito ao compromisso, achei melhor ir em frente.

Sentei-me ao seu lado, expliquei aos poucos amigos presentes que só havia legendas em francês e começamos a ver o filme. Sofri cada vez que uma imagem não aparecia ou que uma música mal soava. Ele assistiu ao filme todo mudo e sem reação nenhuma. Ao final da sessão, quando os créditos começaram a subir, sua mulher, Pilar, debruçou-se sobre Saramago e me agradeceu, emocionada. Silêncio ao meu lado. Antes de terminar os créditos principais, as luzes do cinema foram acesas, eu ousei olhar para o lado e vi que ele fitava a tela sem reação, como se estivesse interessado no nome dos assistentes de cenografia que passavam.

Deu tudo errado, pensei. Toquei seu braço levemente e lhe falei que ele não precisava comentar nada naquele momento, mas, então, com uma voz embargada, ele me disse, pausadamente: “Fernando, eu me sinto tão feliz hoje, ao terminar de ver este filme, como quando acabei de escrever “O Ensaio sobre a Cegueira’”. Apenas agradeci e ficamos ali quietos. Dois marmanjos segurando as próprias lágrimas em silêncio. Ele passou a mão nos olhos, disfarçando a sua. Pensei no meu pai. Emoção sólida, dessas que se pode cortar em fatias com uma faca. Num impulso, beijei sua testa.

Na conversa e no jantar que se seguiram, ele disse que não considera o filme um espelho de seu trabalho e que nem poderia ser assim, pois cada pessoa tem uma sensibilidade diferente.
Disse ter gostado da experiência de ver algo que conhecia, mas que, ao mesmo tempo, não conhecia. Falou que o filme não era perfeito, mas que nunca havia assistido a um filme perfeito. Comentou algumas imagens que o emocionaram especialmente e disse ter achado o nosso Cão das Lágrimas muito doce; preferia que fosse mais agressivo.

Quando lhe contei sobre as críticas favoráveis e contrárias ao filme em Cannes, incluindo a da Folha, ele imediatamente lembrou e recontou aquela historinha do velho que vem puxando um burro montado por uma criança. Um passante vê aquilo e acha absurdo a criança estar montada enquanto um velho caminha, então eles invertem a posição. Outro passante cruza com o grupo e reclama da situação: “Como um adulto deixa uma criança a pé enquanto vai confortavelmente montado?”.

Então, os dois montam no burro, mas alguém acha aquilo uma crueldade com um animal tão pequeno.
Finalmente, resolvem ambos carregar o burro nas costas, até que outro passante observa como são estúpidos por carregar o animal. E, enfim, o velho decide voltar para a primeira situação e parar de dar importância ao que dizem. “É isso que faço sempre”, concluiu o escritor.

Acabo de deixar José Saramago e sua mulher no Ministério da Cultura de Portugal, onde está sendo exibida uma retrospectiva de seu trabalho e sua vida.
Houve uma pequena coletiva de imprensa ali, depois de visitarmos juntos a exposição. Meu filminho de menos de duas horas me pareceu muito insignificante ao ser colocado ao lado daquela obra de uma vida inteira.

FERNANDO MEIRELLES é o diretor de “Ensaio sobre a Cegueira”, “Cidade de Deus” (2002) e “O Jardineiro Fiel” (2005), entre outros

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06
Mai

google me: o filme

Essa é uma empresa que virou verbo. Que mudou completamente o modo como navegamos, o modo como vivemos, viajamos e nos comunicamos. E agora, virou a base do documentário do cineasta Jim Killeen. Ele procurou o próprio nome no Google (quem nunca fez isso?) e achou outras pessoas com o mesmo nome dele. O filme mostra sua busca pelos charás através do mundo (será que ele usou o Google Maps ou o Google Earth?), para conhecer suas histórias e suas vidas. Trailer aí embaixo.

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01
Abr

filmes em versão tipográfica

Eu sou fissurado em tipografia, e sou fissurado em cinema. Não tem como não gostar desses vídeos.

Pulp Fiction:

 Advogado do Diabo:

Onze Homens e um Segredo:

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28
Mar

o aniversário da rainha

Dia 25 de Março foi o aniversário de 61 anos do Elton John. Não que eu seja muito fã dele, mas é uma ótima desculpa pra postar esses vídeos. São duas cenas memoráveis de filmes excelentes que se não fosse por ele não seriam tão memoráveis e tão excelentes. Divirtam-se:

Quase Famosos

Moulin Rouge

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27
Mar

los abrazos rotos

Pedro Almodóvar inaugurou ontem (26) seu novo blog. Nele, o diretor conta detalhes da concepção de seu novo filme “Los abrazos rotos” e mostra algumas fotos da produção, ao lado de Penélope Cruz, Blanca Portillo ou simplesmente escrevendo o roteiro. Que venha mais uma pérola.

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25
Fev

bond, james bond

Uma lista com todos os pôsters dos filmes do 007. De Roger Moore a Pierce Brosnan. Que tal? Referência urgente pra qualquer designer ou diretor de arte.

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21
Fev

onde está osama bin laden?

Ta aí o trailer do novo documentário de Morgan Spurlock, o mesmo de “Super Size Me”. Dessa vez, ao invés de comer só McDonalds durante 30 dias, ele vai viajar o mundo à procura de Osama Bin Laden. Quero assistir isso ONTEM.

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